Cliente usa mais as lotéricas para sacar benefícios do que para pagar contas.

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Movimentação nas casas lotéricas diminui e gera prejuízos aos donos das agências. Foto: Edmar Melo/Acervo JC Imagem

O movimento nas agências lotéricas de Pernambuco está diferente. Embora algumas lojas ainda registrem filas, a maior parte das pessoas que procura os cerca de 400 estabelecimentos instalados no Estado vai sacar benefícios sociais ao invés de pagar contas, ou fazer uma fezinha no jogos das loteria da Caixa Econômica Federal (CEF). A mudança no comportamento tem gerado uma redução de até 20% no faturamento dos empreendimentos, segundo informações do Sindicato dos Lotéricos de Pernambuco.

“Esse movimento fraco está sendo registrado desde dezembro do ano passado e desde então o resultado é pior a cada mês. Somente no último mês de março houve uma melhora por causa do pagamento do IPVA, mas depois disso caiu novamente”, pontuou Telma Cristina da Silva, presidente do sindicato. Ainda segundo ela, por causa da redução do faturamento, algumas agência lotéricas tiveram que demitir funcionários para equilibrar as contas. Atualmente, esse tipo de serviço emprego mais de 2 mil pessoas no Estado.

 

 

As apostas nos jogos da loteria federal também têm sentido a queda na procura

As apostas nos jogos da loteria federal também têm sentido a queda na procura. Melo/Acervo JC Imagem

As apostas nos jogos da loteria federal também têm sentido a queda na procuraFoto: Edmar Melo/Acervo JC Imagem

Além da redução no faturamento, os donos de casa lotérica tem vivido um momento incomum. Por causa do menor movimento nas agências, os jogos das loterias da CEF, como Quina, Mega e Lotomania, têm acumulado com mais frequência. “É um ciclo que se forma: com menos pessoas jogando, os prêmios são menores. Com prêmios pagando menos, menor o interesse. Daí se tem menos gente apostando, as possibilidades de alguém acertar os números sorteados são menores, fazendo os jogos acumularem”, explicou Telma Cristina.

A presidente do Sindicato dos Lotéricos de Pernambuco conta que trabalha neste ramo há cerca de 35 anos e não lembra de ter vivido um momento tão ruim. “Eu tenho uma lotérica em São Lourenço da Mata (no Grande Recife) e o perfil das pessoas de lá é muita mais de sacadores de Bolsa Família e seguro desemprego, por exemplo. Se as pessoas não pagam as contas, a gente não recebe as cotas. Nem mesmo na época do URV (Unidade Real de Valor, em 1994) as lotéricas sofreram tanto”, relembrou Telma Cristina.

De acordo com dados da Caixa Econômica Federal, a maioria das lotéricas fatura, em média, entre R$ 13 mil e R$ 25 mil por mês, mas há pontos com mais movimento em que o faturamento chega aos R$ 60 mil. As agências lotéricas são um boa opção para quem quer evitar as filas dos bancos, uma vez que nelas é possível realizar serviços como pagamentos, saques, transferências e outras transações bancárias.